Mais de 40 milhões de pessoas no mundo se prostituem atualmente, segundo um estudo da fundação francesa Scelles, que luta contra a exploração sexual. A grande maioria (75%) são mulheres com idades entre 13 e 25 anos.
O relatório analisa o fenômeno em 24 países, entre eles França, Estados Unidos, Índia, China e México e diz que o número de pessoas que se prostituem pode chegar a 42 milhões no mundo. O estudo revela ainda que 90% delas estão ligadas a cafetões.
O documento também analisa a questão da exploração sexual por redes de tráfico de seres humanos. De acordo com o relatório, o maior número de vítimas está concentrado na Ásia, que representa 56% dos casos.
"Essa é uma das características da prostituição nos dias de hoje: um grande número de crianças é explorada sexualmente", diz o documento. Estima-se que 2 milhões de crianças se prostituam no mundo. "O elemento marcante, na Europa, é a multiplicação de prostitutas vindas de países diversos, normalmente controladas por quadrilhas que as fazem circular por todo o continente", afirma
Essas vítimas são originárias de comunidades pobres do norte do Brasil, como Amazonas, Pará, Roraima e Amapá, devido a maior pobreza nessas regiões.
Uma americana que foi vítima do tráfico de mulheres tornou-se voluntária de uma organização que ajuda a recuperar adolescentes ex-vítimas de prostituição.
Sara, hoje com 31 anos, acompanha o progresso de meninas de 12 a 17 anos que tentam retornar à vida normal."Eu nunca tinha falado abertamente da minha história antes, porque não acreditava que era uma vítima. Só ao falar com Lisa consegui admitir publicamente que fui sequestrada, ameaçada e forçada a me prostituir com uma arma", disse à BBC Brasil.
Armadilha
Em 2000, Sara tinha acabado de deixar seu filho na casa do ex-namorado e andava em direção à parada de metrô, quando um senhor de idade parou em um carro ao seu lado oferecendo carona.
Durante o trajeto, o homem disse que precisava fazer uma parada e convidou Sara para entrar em uma casa próxima ao metrô. Lá dentro, ele a deixou sozinha e pouco depois, outro homem apareceu. Este era mais forte, jovem e musculoso.
Fuga
Depois de cerca de um ano trabalhando como prostituta, Sara conseguiu se desvencilhar do cafetão, depois de engravidar dele e fazer um aborto sem que ele soubesse.
"Quando ele descobriu, me bateu muito e só parou porque outras pessoas o alertaram que a polícia poderia aparecer. Eu pensei que ia morrer e rezei pela primeira vez ", diz ela.
Para escapar, ela passou a trabalhar para traficantes de drogas e chegou a entrar em brigas com outros grupos de prostitutas forçada pelos traficantes.
Em um destes combates, uma troca de tiros que deixou mortos atraiu a atenção da polícia, que acabou por prendê-los, deixando Sara e as outras garotas do grupo independentes. Sem ter para onde ir, elas continuaram se prostituindo juntas.
Fonte:http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/01/120118_prostituicao_df_is.shtml
-Natália Bonadio